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YOGA SUTRA DE PATANJALI - PARTE 2 - YOGA

Atualizado: 16 de mai. de 2020

Namaste! 




Dando continuidade ao nosso estudo sobre Yoga Sutras, tenho que dizer que uma das minhas maiores preocupações com os meus alunos, sempre foi a de transmitir da maneira mais didática e simplificada a bela teoria do Yoga e do Vedanta. E essa minha vontade nasceu -nos meus primeiros estudos- da minha própria dificuldade de encontrar material que fosse de fácil entendimento.

Antes de dar continuidade, indico para leitura, a tradução da minha professora de Vedanta, Glória Arieira, 'O Yoga que conduz à plenitude'. Patanjali inicia com o sutra:                                                 1.1           Atha yoganusasanam  Agora, o ensinamento do Yoga 


Muitos textos sagrados iniciam-se com o termo Atha. Como traduzido acima, Atha significa 'agora', mas tem uma energia auspiciosa que o envolve, sendo este o motivo de ser escolhido por Patanjali e outros sábios, como início de suas obras.  Ao usá-la, os autores pedem proteção divina, para que possam discorrer sobre o tema escolhido, com fluidez e proteção. A partir do segundo sutra, o Yoga começa a ser apresentado por Patanjali. Alguns termos do Yoga Sutra são bem conhecidos entre os praticantes de Yoga, mesmo que de maneira confusa, e um deles é o segundo sutra, que apresento a seguir:


"Yoga é o controle das modificações da mente (pensamentos)" 


Ah! Então isso é Yoga? Também...mas não apenas isso. Para entendermos, vamos por partes. 


O que é realmente o Yoga?


Yoga  (lê-se yôga, pois não existe o som de 'ó' aberto no sânscrito) é um substantivo masculino que vem da raiz verbal YUJ e significa UNIR.


Mas, união do que? Da alma individual com a grande alma, que pode ser chamada de Infinita Consciência Cósmica, ou 'Criador' ou da forma como você entenda que seja essa energia criadora e mantenedora do universo.


Nossa alma individual, é chamada de JIVATMA. A 'superalma', ou 'Deus' é chamada de PARAMATMA.


Yoga, então, é a União, mas também um conjunto de técnicas para se alcançar esta união. Além disso, Yoga é um estilo de vida que nos possibilita a praticar as técnicas essenciais e onde o praticante coloca sua atenção nele mesmo: nas suas próprias reações, aprisionamentos, escolhas, gostos, aversões... desta forma aprendendo a lidar com a sua própria mente de maneira objetiva.


Agora ficou mais confuso, não é? 

Se Yoga é 'união' e 'um conjunto de técnicas para se alcançar esta união', então porque Patanjali escreveu que Yoga é o controle das modificações da mente?


Para entendermos  melhor, devemos estudar os quatro primeiros sutras (lembrando que esta definição está no segundo sutra). 


O Samādhi-Pādaḥ, inicia-se com a definição de Yoga:  YS I - 1 Atha yogānuśāsanam  2 Yogaś citta-vṛtti-nirodhaḥ 3 Tadā draṣṭuḥ svraūpe ’vasthānam 4 Vṛtti-sārūpyam itaratra  YS I - 1 Agora o ensinamento do Yoga. 2 Yoga é o controle dos movimentos da mente 3 Então o observador está estabelecido em sua própria natureza 4 Por outro lado sua forma fica semelhante às atividades Em outras palavras: Patañjali diz que nos tornamos aquilo em que colocamos a atenção. Quando a colocamos no exterior, como nos pensamentos e sensações, somos envolvidos por eles a tal ponto, que nos ‘tornamos’ eles, nos afastando totalmente do nosso Eu interior, que é 'o observador', ou melhor, a nossa alma. Colocando a atenção no Eu interior, ou seja, na alma, nos reidentificamos com ele, e  'assumimos a sua forma'. O praticante encontra-se, então, em samadhi.  O Yoga acontece quando conseguimos controlar os movimentos da mente, pois eles nos impedem de observarmos o que existe por trás desta agitação. Quando passamos a entender a própria mente, a natureza e o funcionamento dela, conseguimos com paciência controlá-la e direcioná-la ao que desejamos.  Desta forma, podemos calar a 'mente tagarela' sempre que desejarmos e com o silêncio e a clareza da mente, passamos a enxergar o que somos realmente: seres livres de limitações. Um ótimo exemplo é um rio: em um rio, caem folhas, flores, galhos... que vão sendo levados pela correnteza. Se ficarmos olhando para tudo o que está sendo jogado no rio, e ficarmos acompanhando esses objetos, nunca conseguiremos enxergar o fundo do rio, pois nossa atenção será sempre levada pelo movimento dos objetos no rio. Quando paramos de dar atenção aos objetos, e tentamos enxergar o fundo do rio, aos poucos, ele se tornará claro para nós.  Nós funcionamos mais ou menos da mesma forma que o rio: nossa mente é o rio, os objetos são nossos pensamentos, e o fundo do rio é nossa alma. Quando o praticante deixa de se identificar com pensamentos e sensações, ou seja, com tudo que não faz parte dele, ou melhor, tudo que está do 'lado de fora' dele, então, ele se adéqua à sua própria natureza, que é ātman, a alma ou, o observador. Quando isto acontece, o praticante inicia a oitava, das oito pétalas apresentadas por Patanjali: o samadhi. Por isso essa primeira parte do livro é chamada Samadhi Pada. Explicarei melhor o samadhi nos próximos textos, mas adianto que o samadhi não é a meta final. O yogi deve entrar muitas vezes no estado de samadhi antes de alcançar a liberação final no plano físico. Após a libertação no plano físico, o yogi inicia a jornada como morador do plano astral, onde deverá se lapidar e eliminar karmas astrais, para que enfim, consiga se libertar do plano astral e adentrar o plano causal. Após inúmeras passagens entre os planos astral e causal, é que o yogi consegue se libertar do seu último fardo, o causal, e se tornar UM com a INFINITA CONSCIÊNCIA CÓSMICA. Agora que ficou mais claro, voltaremos ao segundo sutra, para analisarmos as outras três palavras que o compõe: A segunda palavra do sutra é CITTA, que vem da raiz CIT ou CITI. O conceito de CITTA corresponde à mente.  VRTTI, vem da raiz VRT que significa 'existir'. É uma maneira de existir.  No sutra é traduzido como 'modificações' ou 'funcionamento'. Patanjali cita 5 tipos de VRTTIs que veremos mais adiante e que nos traz uma classificação que abrange todos os tipos possíveis de modificações da mente.  Agora, unindo a segunda e a terceira palavras do sutra, 'CITTA-VRTTI', podemos ter como conceito 'funcionamento da mente' ou 'modificações da mente' E por fim temos NIRODHAH, que deriva da palavra 'niruddhan', que pode ser entendido como 'restringido', 'inibido' ou 'controlado'. A raiz verbal 'rudh' com o prefixo 'ni' significa 'segurar, prender, dominar. Então, nirodha é um controle, um domínio. Mas, esse controle é feito muito sutilmente: eu seguro a mente... e solto. Seguro... e solto. Até que ela esteja pronta para realizar o seu objetivo, que é nos fazer encontrar a base do Eu, a nossa svarupa, a nossa verdadeira natureza, o Eu interior, livre de limitações, que é o que apresenta o terceiro sutra. Com esse controle, teremos uma mente gerenciável, que nos possibilita detectar e entender as nossas reações diante das situações para fazermos as melhores escolhas.  O terceiro sutra é muito significativo, pois ele completa o propósito do Yoga. Com a mente dominada, o praticante alcança a permanência na natureza de quem ele é, ou seja, o ser livre de limitações. Esse entendimento do EU é o foco de uma vida de Yoga.  E completando os quatro primeiros sutras, no quarto sutra Patanjali nos diz, que quando não estamos identificados com o Eu Interior, estamos identificados com os pensamentos que ocorrem na nossa mente e assim, nossa verdadeira forma está obscurecida.   Jay Guru! Om Tat Sat Ju Matos 

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