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Sādhana catuṣṭaya - As quatro qualificações das pessoas que buscam pelo autoconhecimento

Atualizado: 18 de out. de 2021

As quatro qualificações das pessoas que buscam pelo autoconhecimento - ensinadas no texto Tattvabodhaḥ - de Śaṅkarācārya.


Dakṣiṇāmūrti - uma forma das formas de Siva, como sendo o primeiro mestre.



Dentro do estudo de Vedānta, existe um texto chamado Tattvabodhaḥ que cita as características da mente, ou qualificações da pessoa que busca pelo autoconhecimento.

As qualificações que são chamadas de sādhana catuṣṭaya, são quatro: viveka, virāga, ṣaṭka sampatti e mumukṣutvam.


Quando iniciamos uma vida de Yoga, é comum termos curiosidade sobre essas qualidades: será que temos essas qualidades? Se eu descobrir que não tenho uma ou mais dessas características, poderei continuar minha vida de Yoga?


Vamos entender cada uma delas:


1. viveka: a primeira qualidade da mente é Viveka, que significa a discriminação entre o eterno e o não eterno. Discriminação é apontar as diferenças existentes entre Īśvara (eterno) e jīvā (o ser humano). Através desta análise, a pessoa chega à conclusão de que aparentemente Īśvara e jīvā são diferentes, mas em essência são iguais.


Ao saber desta primeira qualidade, a maioria dos alunos pensa: “poxa, não tenho esta característica, então esta vida não é para mim.” Mas, o que temos que ter inicialmente é apenas uma curiosidade sobre este assunto. É, ao ter ouvido falar sobre algo que é eterno, tenha surgido na pessoa uma vontade de tentar entender mais sobre Deus e sobre si mesmo.

Você que está lendo o texto, que faz nossos cursos de Yoga e Vedanta, com certeza possui essa primeira característica, nem que seja na forma desta curiosidade.

Swami Paramarthananda diz que isso é o suficiente para dizermos que possuímos a qualidade necessária da mente para a busca do autoconhecimento.


2. virāga: desapego . É um sinônimo de vairāgya, citado por Patañjali no Yoga Sutras.

Virāga é se desapegar daquilo que nos afasta da nossa vida de yoga. Para que seja realizado o desapego, inicialmente o yogin deve detectar aquilo que ele considera um hábito negativo. Depois, através do intelecto (buddhi), ele deve colocar na balança: de um lado, o que a razão diz sobre aquele hábito e do outro lado, a emoção que carrega aquele hábito.

No início a emoção vence. Mas com abhyāsa, a repetição da intenção de mudar, o desapego do velho hábito negativo acontece e novos bons hábitos se instalam na mente da pessoa.


Só de ter buscado este estudo, até mesmo a leitura deste texto, mostra que você está optando por assuntos relacionados ao Yoga e deixando de lado tantos outros que você com certeza valorizava no passado.


3. A terceira qualidade é chamada ṣaṭka sampatti, que significa um conjunto de seis virtudes, que veremos a seguir:


• Śama – calma e objetividade da mente. A capacidade de observar a emoção negativa e controlar a reação física. Ex. a raiva que surge na mente, se não for vista, produzirá uma reação (ação física) de agressão. A pessoa que possui śama, ao sentir a raiva, irá se afastar da causa da sua raiva para não chegar ao ponto de exterioriza-la através da violência física ou verbal.


• Dama – a capacidade de evitar a ação agressiva quando ela já se manifestou. Ex. a raiva não foi controlada na mente e foi exteriorizada na forma de um olhar agressivo. Tendo dama, a pessoa consegue frear aquela ação violenta antes de dizer algo violento. A diferença entre Śama e dama é que em Śama ninguém vê a sua emoção negativa. Em dama, todos podem ver que a emoção negativa surgiu.


•Uparama – agir da melhor forma, dentro de cada uma das relações. É trazer o dharma para a vida. Dharma são os valores universais, que podem ser entendidos como tudo aquilo que todas as pessoas querem para si mesmas: a não violência, a verdade. Ninguém quer ser agredido nem enganado por exemplo. Isso aponta que a não violência (ahiṃsā) e a verdade (satya) são valores universais, ou seja, o dharma. Viver com o dharma é fundamental para que a pessoa tenha uma tranquilidade na mente, aquilo que popularmente é chamado de “consciência tranquila”. Essa tranquilidade abre um espaço e uma sensibilidade na mente para o estudo de Vedanta.


•Titikṣa – a qualidade da mente de lidar com as situações inevitáveis da vida (aquelas que não dependem de nós para serem diferentes): por exemplo o clima, o humor do outro...


•Śraddhā – a qualidade da mente de confiar no ensinamento védico e no professor. O aluno não deve ter fé cega nos ensinamentos e no professor, mas dar um voto de confiança ao estudo e testar em si mesmo aquilo que é dito nas escrituras.


•Samādhana – a capacidade da mente de se concentrar em um único assunto durante um período de tempo.


4. A quarta qualidade da mente é mumukṣutvam, que é o estado de ser um mumukṣu. Mumukṣu é aquele que busca por mokṣa, que tem o desejo pelo autoconhecimento, pela liberação da ignorância sobre quem Eu Sou.


Estas são as qualidades da mente mencionadas no Tattvabodhaḥ, características que aqueles que buscam pelo estudo de Vedanta possuem. Através de uma pequena porcentagem dessas características, o aluno é atraído a este estudo.


Agora que você sabe quais são essas qualidades, reflita sobre elas e analise a si mesmo. Swami Paramarthananda diz que quando observamos que não possuímos uma ou algumas dessas qualidades, devemos fazer a meditação para que a mente possa adquirir uma sensibilidade e um espaço para querer este estudo.


Om Tat Sat.

Juliana Matos.



Este é um tema dado no curso Tattvabodhaḥ. O curso foi ministrado pela professora Juliana Matos ao vivo pelo Zoom em 2020 e está em formato de vídeo aula no nosso site, disponível para aqueles que quiserem estudar. Se você deseja aprender este texto ao vivo ou presencialmente, escreva para nós para que possamos formar uma nova turma.


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